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Os templos de Orissa, locais de adoração e desenvolvimento artístico e cultural, presenciaram o florescimento de muitas artes, entre elas a Dança e Música Odissi. Localizado na costa leste da Índia, o estado é conhecido pelas graciosas esculturas que adornam as paredes de centenas de templos localizados na região de sua capital, a cidade de Bhubaneswar.

Há muitos séculos monarcas de Orissa encorajaram o desenvolvimento da cultura local construindo magníficos templos dedicados a Shiva, e posteriormente a Vishnu, Krishna e Jagannath.

É evidente que os escultores que trabalharam nesses magníficos templos, eram conhecedores da arte da dança e seus códigos estéticos como relatados no tratado da dramaturgia (Natya Shastra – séc. II a.C.) Muitos dos templos que destacamos abaixo desempenharam importante papel para o desenvolvimento do estilo Odissi.

Templo de Jagannath: em Puri encontra-se um dos mais venerados e visitados templos da Índia (séc. XI), o templo de Jagannath, o Senhor do Universo. O culto à Jagannath, ajudou a formar a arte e cultura de Orissa e a sua imagem inspiradora está associada à dança Odissi.
Traços do budismo, shaivismo e formas tântricas de adoração foram assimiladas juntamente com a imagem de Krishna-Vasudeva, que é ainda visto como Buddha, Shiva e mesmo Bhairava (um dos 64 aspectos de Shiva), características distinta do Vaishnavismo medieval. Após o séc. XII Jagannath é considerado uma deidade exclusivamente Vaishnava, através da qual rituais tântricos foram incorporados à devoção.
O muro que guarda o templo contem inscrições que detalham a ordem diária das apresentações das Mahari no hall destinado à dança, o Natamandira. As canções do Geeta Govinda, base poética de parte do repertório coreográfico Odissi, foram introduzidas nos rituais de adoração do templo e esses hinos de louvor a Krishna são cantados diariamente até os dias de hoje.

Templo de Konarak: situado à beira-mar, no Golfo de Bengala, ergue-se um dos maiores templos hindus jamais construído: o templo de Surya, o deus Sol dos Veda, também conhecido por “Black Pagoda”. Dos três edifícios, restam apenas o Jagamohana, (sala de reuniões) e o Natamandira, o pavilhão da dança.
Construído por Narasimha I (séc.XII), traz em seu teto de pirâmide escalonada a representação de mulheres tocando diferentes instrumentos, esculturas tridimensionais em tamanho real, parecem ocupadas em entreter com sua música e dança os seres divinos no céu. Essas graciosas formas esculturais de mulheres segurando seus instrumentos ganhou expressão na dança chamada Batu, uma importante peça abstrata do repertório coreográfico Odissi.
Os muros e pilares externos formam um verdadeiro dicionário de movimentos e indicam a elevada posição que a dança e música ocupavam na região. O santuário e o espaço para a dança foram concebidos como uma carruagem puxada por sete cavalos mantendo a antiga tradição da mitologia hindu e o significado cósmico do movimento do sol no céu.

Templo Parasurameswar: o templo de Parasurameshwar (séc. VII) é um pequeno templo ricamente decorado com inúmeras esculturas de posturas de dança em seu aspecto mais viril, tandava – relativo ao deus Shiva.
Representações esculpidas de Lakulisa, o fundador da escola Shaiva Pasupata, tem a forma de Buddha com quatro discípulos a seus pés. O Budismo era muito popular na região de Orissa nesse período, por isso é muito comum encontrar figuras com a forma de Buddha em templos dedicados ao culto de Shiva.
O Jagamohana, ou espaço da dança, é ricamente decorado com dançarinas, músicos e narrativas da mitologia formando um repertório de mitos Shaivas. Ganesha, Kartikkeya, cenas do casamento de Shiva e Parvati, e as Sapta-Matrikas – sete deusas-Mãe também estão representadas.

Templo Rajarani: o templo Rajarani (séc. XI) possui nas paredes externa muitas esculturas de mulheres em poses de dança ilustrando complexos movimentos descritos no tratado da dramaturgia (Natya Shastra – séc. II a.C.), com marcante característica do estilo local. Sua fama deve-se também às enormes esculturas externas representando Nayaka, heroínas, olhando-se em um espelho, tirando os guisos dos tornozelos, cuidando de pássaros, tocando instrumentos, segurando languidamente galhos de árvores e etc.
Há forte indicação deste templo estar associado à figura de Shiva com sua consorte Parvati. Os Dikpal, ou guardiões das oito direções, estão representados nas paredes externas, sentados em posição de lótus, cada um sobre a sua respectiva montaria.

Templo Mukteswar: frequentemente descrito como “uma das jóias de Orissa”, o templo de Mukteswar (séc. X) dedicado a Shiva, primorosa e elegantemente esculpido é um grande marco no desenvolvimento arquitetônico de Orissa.
A construção principal, o Jagamohana ou espaço da dança, possui um charmoso teto com um lótus de oito pétalas esculpido. A torana, portal circular com dois pilares que suportam um arco em frente ao Jagamohana (edifício principal) possui entre tantos ricos detalhes, esculturas de mulheres reclinadas sobre o arco. Em detalhes na parede externa Ganesha é descrito em pose típica da dança Odissi (Ahi Tandava), segurando uma serpente em suas mãos sobre a cabeça.
Anualmente no mês de fevereiro o templo de Mukteswar é palco de um promissor festival de dança clássica Odissi, televisionado ao vivo para toda a Índia e transmitido ao mundo pela internet.

Foto: Silvana Duarte

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