Odissi > Estilo > Dança Expressiva

Adramaticidade do corpo, o uso dos hastas (linguagem gestual das mãos) e um extenso repertório de expressões faciais, são utilizados para narrar visualmente um determinado tema literário. Esta etapa abrange o estudo mais importante e significativo da dança Odissi, onde o dançarino-ator é convidado a transcender a mera forma e a permitir entrar em contato com a percepção mais profunda de si mesmo.

Abhinaya é extensamente analisado no Natyashastra de Bharata Muni, o mais antigo e completo tratado sobre atuação no palco, datando de 200 anos antes de Cristo. Composta pelo prefixo Abhi, que significa “adiante”, e a raíz Ni, que quer dizer “em direção”, “carregar”, “levar“, abhinaya é um modo pelo qual um dançarino – ator “conduz um significado” à audiência.

Abhinaya ressalta a beleza e as qualidades importantes de uma peça, que pode ser apreciada com o suporte dos gestos apropriados, discurso poético na forma de canto e figurino. Ela se coloca como uma imitação sugestiva e evocativa dos vários estados psicológicos em uma construção poética. O objetivo do abhinaya é rasa, o despertar da emoção estética numa audiência. A palavra rasa, da raíz ras, originalmente significava “sabor”. Este significado deriva de uma metáfora, similar àquela na qual o significado figurativo de nossa própria palavra “saborear” é usada. Na elaboração desta teoria estética, Bharata foi o primeiro a especular sobre rasa, como o mais importante elemento no prazer dramático, e para formular teorias que tem permanecido por séculos como parte da cultura hindu. Rasa resulta dos sentimentos permanentes, associados às emoções secundárias. Teóricos hindus, falam de rasa como um delicioso sentimento de prazer, um encantamento psíquico, e não material. Uma palavra derivada de rasa, rasika, designa a audiência que está apta a perceber, apreciar e saborear uma apresentação de dança.

Há quatro meios tradicionalmente conhecidos, para revelar um poema ou um episódio da literatura à audiência e para desenvolver seus aspectos deleitáveis até seus limites. Essas quatro formas de expressão dramática, ou abhinaya, que derivaram dos quatro veda são: angika, sattvika, vacika e arahya. Angika abhinaya, originária do Yajur Veda é o abhinaya do corpo. Aqui o dançarino – ator faz uso do conhecimento técnico previamente adquirido no estudo de nrtta (dança abstrata) e empresta a dramaticidade de seu corpo para narrar visualmente o conteúdo de uma poesia. Engloba maneiras de revelar atitudes característica de um personagem e transportar um significado. Sattvika abhinaya, originária do Atharva Veda é o abhinaya do tipo mental, que reside na combinação de rasa (sentimento) e bhava (emoção). A comunicação por meio deste abhinaya torna-se mais poderosa com o envolvimento interno do dançarino – ator. De acordo com os teóricos hindus, são oito os rasas: amor (shringara), coragem (vira), comoção (karuna), maravilhamento (adbhuta), fúria (raudra), humor (hasya), medo (bhayanaka), repulsa (bibhatsa) e paz (shanta). Vacika abhinaya, originária do Rig Veda faz uso da palavra falada. A substância da poesia que é cantada e dançada contribui para a compreensão de uma peça. As frases do poema, continuamente repetidos em forma de canto, são associados à melodia e ritmo e seu significado é sublinhado pelos gestos e movimento do dançarino – ator. Aharya abhinaya, originária do Sama Veda, corresponde à arte da ornamentação, que engloba maquiagem, figurino e cenário.

A dança clássica e expressiva é dividida em duas principais categorias, Lasya (suavidade) e Tandava (vigor). Esta divisão é baseada na maneira como os movimentos são executados e não no sexo do dançarino – ator. A distinção entre esses dois aspectos é antiga e deriva do mito de Ardhanarisvara, uma das formas do deus Shiva que tem uma metade mulher. Movimento, ritmo e música podem ser definidos como Tandava se for forte e vigoroso, e como Lasya ser for suave, delicado e gentil. No estilo Odissi esses dois aspectos se entrelaçam, como é visível nos movimentos vigorosos dos pés que marcam ritmo enquanto o peculiar movimento do torso, característica única no estilo Odissi, dá ênfase à melodia (lasya). É por essa razão que a representação de um personagem não é baseada na identidade sexual do dançarino – ator. Na dança expressiva é visível a alternância entre essas duas energias, Tandava / Animus e Lasya/ Anima, quando o dançarino ator dança histórias que envolvem muitos personagens.

Foto: Balaji Shankar Venktachani
Dançarinas: Surupa Sen e Bijayini Satpathy

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